GET TO KNOW MAPBIOMAS ALERTA METHOD

O MapBiomas Alerta consiste em um sistema de compilação de alertas provenientes de diferentes sistemas de detecção de desmatamento no Brasil, todos baseados em sensoriamento remoto. O processamento desse conjunto de alertas envolve a agregação, validação e refinamento dos limites espaciais utilizando imagens de satélites de alta e média resolução (Planet Scope com 3,7 m de resolução espacial e Sentinel-2 com 10 m de resolução espacial), geração de laudos e publicação dos resultados finais em uma plataforma única, de acesso aberto (https://plataforma.alerta.mapbiomas.org).

Nesta seção, apresentamos uma explicação simplificada do método de processamento do MapBiomas Alerta, bem como algumas de suas limitações e diferenças em relação aos dados anuais de desmatamento.

STEP DESCRIPTION

The MapBiomas Alerta process encompasses the following steps: compilation, validation, refinement, cross-referencing with public data, auditing, and publication of deforestation alerts and reports (Figure 1).

Figure 1. MapBiomas Alerta's methodological process for compiling, validating, refining, cross-referencing data, auditing, and publishing deforestation alerts in Brazil. 

Step 1: Compilation of alerts from existing systems for all Brazilian biomes.

O MapBiomas Alerta consulta, organiza e consolida informações produzidas pelos vários sistemas oficiais e independentes, que monitoram o desmatamento no Brasil e geram alertas de desmatamento com base em imagens de 10 m, 30 m ou até 60 m de resolução espacial (Quadro 1). Para o ano de 2025, o MapBiomas Alerta consultou os alertas disponibilizados pelas seguintes fontes de informação e sistemas existentes:

Table 1: Deforestation Detection Systems and Sources Used in Brazilian Biomes by MapBiomas Alerta

NameSourceBiome(s)Link
DETER*National Institute for Space Research (INPE)Amazon, Cerrado and Pantanalhttps://terrabrasilis.dpi.inpe.br/
SADIMAZONLegal Amazonhttps://imazongeo.org.br/sad/ 
SAD CaatingaGeodatinCaatingan.a.
SAD Mata AtlânticaSOS Mata Atlântica e ArcPlanAtlantic Foresthttps://www.sosma.org.br/iniciativas/alertas
SAD PantanalSOS Pantanal e ArcPlanPantanaln.a.
SAD PampaGeoKarten e UFRGSPampan.a.
SAD CerradoInstituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM)Cerradohttps://sadcerrado.ipam.org.br/
SIRAD-XInstituto Socioambiental (ISA) and rede Xingu+Região da Bacia do Xingu na Amazônia e no Cerradohttps://xingumais.org.br/siradx
GLADMaryland UniversityPampahttps://glad.umd.edu/
PRODES**National Institute for Space Research (INPE)Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanalhttps://terrabrasilis.dpi.inpe.br/
ATLAS – SOS Mata AtlânticaSOS Mata Atlântica e INPEAtlantic Foresthttps://www.sosma.org.br/iniciativas/atlas-da-mata-atlantica

*Apenas alertas de desmatamento do DETER. Não são analisados alertas de degradação, incêndio ou exploração madeireira.

** Os polígonos do PRODES estão sendo incorporados gradualmente para evitar omissões.

O GLAD monitora globalmente e semanalmente a perda de florestas tropicais com imagens Landsat (30 m). O DETER utiliza imagens dos satélites Amazônia 1, CBERS-4 e CBERS-4A (com resolução de 55m a 64 m) para mapeamento semanal das áreas de desmatamento nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal. O SAD utiliza imagens dos satélites Landsat 8 e 9 e Sentinel 1 e 2 (com 30 m e 10 m de resolução espacial) para detectar desmatamento em florestas primárias na Amazônia. O SIRAD-X complementa os dados do SAD e do DETER com monitoramento do desmatamento por imagens de radar do satélite Sentinel-1 na Bacia do Xingu, nos biomas Amazônia e Cerrado. O SAD Caatinga foi desenvolvido pela Geodatin em parceria com a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), para detectar o desmatamento com foco nas matas secas no bioma Caatinga, podendo incluir algumas áreas no Cerrado e na Mata Atlântica. Já o SAD Mata Atlântica e o SAD Pantanal foram desenvolvidos com foco nas formações florestais e savânicas, nos respectivos biomas, pela SOS Mata Atlântica e SOS Pantanal em parceria com a ArcPlan. O SAD Pampa foi desenvolvido pela GeoKarten em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e está em operação para detecção de desmatamentos em ambientes florestais e supressões de vegetação nativa em testes para ambientes campestres. O SAD Cerrado foi desenvolvido pelo IPAM, em parceria com o Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento da Universidade Federal de Goiás (LAPIG-UFG) e o MapBiomas, com foco nas formações florestais, savânicas e campestres do bioma Cerrado. Todos os SADs dos biomas utilizam imagens Sentinel-2 com resolução de 10 metros.

Além das fontes de alertas mensais, também foram incluídas fontes de dados anuais de desmatamento para reduzir as omissões, como o PRODES/INPE e Atlas dos Remanescentes Florestais/SOS Mata Atlântica e INPE na Mata Atlântica. Devido à grande quantidade de dados produzidos pelo PRODES/INPE, estes alertas estão sendo validados pela equipe do MapBiomas de forma gradual, em paralelo à validação dos alertas gerados pelas outras fontes de detecção mensais.

Step 2: Validation and selection of before and after images

O processo de validação ocorre em duas etapas. A primeira etapa é feita de forma automatizada, eliminando todos os alertas de desmatamento que coincidem com os alertas já publicados nos levantamentos anteriores do MapBiomas Alerta. O segundo passo é feito mediante a inspeção visual de cada alerta de desmatamento por analistas treinados e organizados em equipes por biomas, com o suporte dos mosaicos mensais das imagens de alta resolução da constelação de satélites Planet (imagens com 3,7 m de resolução espacial) e Sentinel-2 (imagens com 10 m de resolução espacial). 

Nesse momento, também pode ocorrer o descarte dos alertas que correspondem a casos de falsos positivos, com o registro correspondente do motivo da rejeição (ex. silvicultura, agricultura, sazonalidade). Somente quando a inspeção visual detecta o evento de desmatamento, o alerta é então considerado válido. A partir daí, são selecionadas e adquiridas, com recursos do projeto, duas imagens de satélite: uma imagem onde é possível visualizar a vegetação nativa antes do desmatamento e uma imagem onde é possível constatar a área que foi desmatada. A obtenção das imagens considera uma área mínima de 700 m por 700 m, contemplando a área do desmatamento e do seu entorno para auxiliar na  contextualização da área desmatada.

Etapa 3: Refinamento nas imagens de alta e média resolução

Após a confirmação do desmatamento associado a cada alerta, e da seleção do par de imagens de alta resolução, é necessário refinar os limites espaciais da área efetivamente desmatada (Figura 2). Esse refinamento é realizado por analistas treinados, por meio de uma classificação automática aplicada a cada alerta de desmatamento, para  garantir maior precisão na delimitação dos contornos das áreas com vegetação nativa suprimida.

A geração do polígono refinado é feita com uso de um algoritmo de classificação supervisionada (Random Forest), que é processado na plataforma Google Earth Engine por meio do Workspace (aplicativo de processamento desenvolvido pelo MapBiomas). A classificação é realizada com a coleta de amostras de treinamento nas imagens de alta resolução, para representar a área desmatada e as áreas vizinhas não desmatadas.  A classificação final resulta num polígono refinado que passa por um processo de simplificação para remover o excesso de vértices e limpeza para minimizar os ruídos da classificação. 

Com base nas imagens de antes e depois do desmatamento, e a partir da observação da região do entorno do desmatamento, o intérprete também identifica e registra o vetor de pressão que pode ter causado o evento de desmatamento (mineração, garimpo, expansão urbana, agropecuária, eventos climáticos extremos, aquicultura, estradas, empreendimento de energia renovável, reservatório/açude ou outros- definido quando não é possível identificar o vetor de pressão ou quando o desmatamento não se enquadra em nenhum dos vetores citados).

Figure 2. Example of Planet images before and after deforestation, along with the refined alert polygon (ID 1232983 from 2024).

Step 4: Cross-referencing with public territorial databases

Os polígonos refinados, contendo a delimitação precisa da área desmatada, são espacialmente sobrepostos com informações espaciais fundiárias e de fiscalização, incluindo limites de Terras Indígenas (TIs), de Unidades de Conservação (UCs), de sítios arqueológicos, de territórios quilombolas, de assentamentos rurais, de imóveis rurais cadastrados no SNCI e SIGEF, das áreas registradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR) – contemplando inclusive as Áreas de Preservação Permanente (APPs) e de Reserva Legal (RL) declaradas –, além de áreas embargadas pelos órgãos ambientais, autorizações de supressão da vegetação e planos de manejo florestal do Sinaflor do IBAMA. 

Os alertas também são vinculados a limites geográficos como municípios, estados, biomas e bacias hidrográficas. Também são considerados os cruzamentos com territórios especiais, como Amazônia Legal, área de aplicação da Lei da Mata Atlântica, MATOPIBA, AMACRO, Reservas da Biosfera e outros. Esses cruzamentos qualificam os alertas e permitem gerar laudos técnicos fundamentados com informações que são relevantes para as instituições usuárias. 

Step 5: Auditing

Each refined polygon goes through an audit process done by the technical supervisor of each biome. At this stage, the eventual need to redo some adjustments is evaluated before the final publication of the confirmed deforestation.

Step 6: Publication

Todos os polígonos de desmatamento confirmados são publicados na Plataforma MapBiomas Alerta (https://plataforma.alerta.mapbiomas.org), com atualização semanal. São disponibilizados laudos para cada desmatamento confirmado, para cada cruzamento de um alerta com um imóvel registrado  no CAR, SIGEF e SNCI (com área superior a 0,3 ha) e para cada imóvel em sobreposição com alertas. Os laudos contém as seguintes informações:

  • deforestation alert code;
  • original source of the alert (detection system);
  • Biome, State e Municipality;
  • desforastation area;
  • deforestation area that intersects with the property;
  • property code;
  • image and date from before deforestation;
  • image and date from after deforestation;
  • overlap of deforestation with: APP, Legal Reserve, springs, Indigenous Lands, Conservation Units, Sustainable Forest Management Plan, embargoed areas, vegetation suppression authorization, and others;
  • Land cover and land use history from MapBiomas for the assessed area.
  • Landsat image history for the assessed area.
  • fontes de dados utilizados nos cruzamentos.

Post-Publication Alert Cancellation and Correction

Em determinadas situações, os alertas publicados na Plataforma MapBiomas Alerta podem  ser retificados (Figura 3), ou até mesmo cancelados. Sempre que houver um apontamento formal ou  uma solicitação fundamentada indicando possíveis erros associados aos alertas, seja por parte de órgãos ambientais ou usuários da plataforma, a equipe técnica realiza uma nova análise detalhada desses alertas. 

Essa análise é realizada verificando as imagens da Planet, mas também, caso haja necessidade, várias outras informações complementares como imagens de outros satélites (Sentinel, Landsat, etc.), imagens de satélite de alta resolução disponíveis no Google Earth, além dos mapas anuais de cobertura e uso da terra do MapBiomas. Nos casos em que não é possível confirmar que o alerta publicado corresponde a um evento de desmatamento/conversão de vegetação nativa (independentemente de rendimento lenhoso, regularidade ou responsabilidade), o alerta é cancelado. Isso significa que ele é removido do mapa e das estatísticas da plataforma, porém é mantido na base de dados apenas para consulta individual por meio do seu código identificador.

In some cases, spatial delimitation rectifications of the alert may be carried out, always with the aim of better representing the deforestation event in question (Figure 3). Similarly, if any error or problem is related to the images linked to the alert polygon, new images can be selected and updated on the platform. All rectifications are recorded in the system and the information is made available publicly on the platform, including the date on which the alert was rectified. 

Figure 3. Exemplo de retificação dos limites espaciais do alerta após a publicação para o  alerta de Cód. 564078, detectado no ano de 2022.

The MapBiomas Alerta platform does not analyze or determine the legality or regularity of the deforestation alerts it presents. The platform's primary function is to detect and confirm the loss of native vegetation, regardless of legal or regulatory considerations.

LIMITATIONS OF THE METHOD 

As every method, MapBiomas Alerta has some limitations that must be considered when applying its data:

  1. Processing time – a importação dos alertas a partir de suas fontes (sistemas de detecção) ocorre mensalmente. Como parte do processamento dos alertas é feita individualmente e de forma visual por analistas treinados, o tempo de validação e processamento depende do bioma e da época do ano. Com isso, o tempo transcorrido desde a data de detecção pelo sistema fonte, até a publicação na plataforma no MapBiomas Alerta pode variar entre 30 e 180 dias.  A ênfase do MapBiomas Alerta é aumentar a certeza sobre os eventos de desmatamento reportados e fornecer laudos detalhados e prontos para uso na fiscalização remota. As operações de fiscalização rápida em campo, que visam flagrante, podem ser planejadas diretamente com os sistemas de detecção pré-existentes.
  1. Alert Omissions – deforestation are validated and refined based on the existence of an alert previously captured by a third-party deforestation detection system. The possible omissions of these systems in detecting deforestation also affect the alerts evaluated by MapBiomas Alerta. 

No início do MapBiomas Alerta, grande parte dos biomas brasileiros não possuía um sistema de monitoramento mensal específico, e a principal fonte de alertas utilizada era o GLAD, um sistema global que usa imagens de satélites Landsat para sinalizar automaticamente áreas onde a cobertura florestal sofreu um distúrbio. O sistema cobre toda a região tropical. No entanto, os alertas detectam mudanças com mais confiabilidade em áreas com pelo menos 60% de cobertura florestal, tornando-os mais adequados para o uso em florestas tropicais densas. Por conta disso, o GLAD apresentava omissões por não estar ajustado às características específicas de cada bioma brasileiro. 

Para evitar essas omissões na detecção do desmatamento, o MapBiomas apoiou o desenvolvimento de Sistemas de Alerta de Desmatamento (SADs), adaptados para cada bioma brasileiro, por diversas universidades, instituições de pesquisa e organizações da sociedade civil:

  • SAD Caatinga, which started operating in 2020, developed by the MapBiomas na Caatinga team (UEFS and Geodatin);
  • SAD Mata Atlântica, developed by SOS Mata Atlântica and ArcPlan, was deployed in 2021 for four river basins (Tietê, Jequitinhonha, Iguaçu and Miranda/Aquidauana), where 2,126 alerts were identified in addition to the GLAD alerts, and has been operating for the entire biome since January/2022;
  •  SAD Pantanal, developed by SOS Pantanal and ArcPlan to monitor deforestation alerts in forest and savanna formations, deployed in late 2021 (where 103 alerts were identified), operating monthly as of January 2022;
  • SAD Pampa, desenvolvido pela GeoKarten e UFRGS, em operação desde 2022, com foco na supressão de florestas. Desde então os alertas GLAD¹ são utilizados de modo complementar;
  • SAD Cerrado, desenvolvido pelo IPAM em 2022, quando houve uma adição ainda parcial de alertas em fase de teste. Funciona de modo operacional desde janeiro de 2023. No período de janeiro a junho de 2023, todos os alertas gerados foram validados, independente do tamanho. Devido ao grande volume mensal de alertas gerados pelo sistema, optou-se, a partir de julho de 2023, por considerar apenas os alertas com área maior de 10 ha. 

De modo complementar, os desmatamentos anuais identificados pelo PRODES, a partir de 2019 na Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal, estão sendo utilizados para identificar omissões dos sistemas de monitoramento mensal desses biomas. Com o mesmo objetivo de reduzir as omissões, foram também incluídos os desmatamentos anuais identificados pelo Atlas dos Remanescentes Florestais da SOS Mata Atlântica/INPE, rejeitando todos aqueles sobrepostos aos alertas já validados.

Vale notar também que os sistemas de monitoramento do desmatamento apresentam áreas mínimas de detecção e, por isso, podem omitir alguns desmatamentos pequenos. Por exemplo, os alertas menores do que 3 hectares não são detectados na Amazônia (DETER Amazônia) e os menores do que 1 hectare não são detectados no Cerrado (DETER Cerrado). A utilização de múltiplas fontes para a mesma região tem por objetivo reduzir essas omissões.

  1. Deforestation Speed Underestimated – ao validar e refinar um alerta, é feita uma busca de um par de imagens de satélites Planet de boa qualidade no momento anterior e posterior ao desmatamento. A imagem “anterior” é a mais recente disponível no período de até 12 meses antes da detecção (salvo algumas exceções que possam acontecer por disponibilidade de imagens), e a imagem “posterior” é a mais próxima do final do  desmatamento. A presença de nuvens nas imagens de satélite pode aumentar em dias, semanas e, até meses, o período entre as imagens selecionadas para representar o antes e o depois do desmatamento. Isso não altera a afirmação de que o desmatamento ocorreu no período entre as duas imagens, mas afeta o cálculo da velocidade média em que o desmatamento de fato ocorreu.
  1. Automatic Polygon Delimitation – os polígonos que delimitam os alertas refinados são gerados por um processo de classificação automática da área de mudança entre as duas imagens, ou seja, o local onde a vegetação nativa foi suprimida. Durante esse processo, podem ocorrer pequenas imprecisões, como a inclusão de áreas previamente alteradas ou a exclusão de pequenos agrupamentos de árvores que permaneceram dentro da área desmatada. Para reduzir essas inconsistências, foi implementado, em 2020, um procedimento de simplificação que elimina o excesso de vértices, resultando em polígonos mais limpos e consistentes.
  1. Limitation to Non Woody Native Vegetation – a detecção da supressão de vegetação não florestal, como a vegetação campestre, por exemplo, tem limitações nos sistemas originadores dos alertas, cujos métodos têm como foco identificar onde houve supressão da vegetação florestal. Com exceção do SAD Cerrado, que possui detecção calibrada tanto para as formações florestais, quanto para savânicas e campestres. Entretanto, quando também ocorre supressão de vegetação não florestal na área do alerta ou em área adjacente para os outros biomas, o uso das imagens de alta resolução permite o seu registro durante a fase de refinamento do alerta. Por conta disso, a maior parte dos desmatamentos em vegetação não lenhosa que foi detectada desde 2019 ocorreu de forma ocasional, sempre que observados no entorno de alertas de vegetação lenhosa. Portanto, os sistemas atuais de detecção ainda subestimam a supressão de vegetação nativa não florestal.

Diferenças em relação aos Dados Anuais  

Os dados do MapBiomas Alerta não são diretamente comparáveis aos dados de monitoramento do desmatamento, como os produzidos pelo PRODES e pelo Atlas de remanescentes florestais da Mata Atlântica.

O PRODES é um programa oficial de monitoramento anual do desmatamento, baseado em metodologia própria, com o objetivo de divulgar as taxas anuais de supressão de vegetação em todos os biomas brasileiros. Os resultados são publicados após processos específicos de consolidação e seguem critérios técnicos definidos no âmbito do monitoramento oficial.

Os dados do Atlas têm o objetivo de monitorar e quantificar a extensão, a distribuição e a evolução da cobertura vegetal nativa do bioma ao longo do tempo, permitindo identificar áreas preservadas e desmatamento. O foco do mapeamento está em fragmentos de vegetação nativa acima de 3 hectares, especialmente em áreas mais conservadas.

O MapBiomas Alerta, por sua vez, é uma iniciativa de validação e consolidação de alertas de desmatamento que integra múltiplas fontes de detecção. Entre essas fontes está o PRODES, além de outros sistemas de monitoramento. Dessa forma, o PRODES compõe o conjunto de dados analisado e validado pelo MapBiomas Alerta, não se configurando como sistema concorrente.

A inclusão dos sistemas anuais no processo de validação do MapBiomas Alerta tem como objetivo reduzir a omissão inerente aos sistemas de alerta mensal, ampliando a cobertura das áreas detectadas e aumentando a robustez do conjunto final de eventos confirmados de desmatamento.

As diferenças observadas entre os dados decorrem das distintas finalidades, metodologias, recortes temporais e procedimentos de consolidação adotados por cada iniciativa, não sendo metodologicamente adequada a comparação direta entre seus resultados.

Nesse contexto, os sistemas são complementares. O monitoramento oficial fornece estimativas consolidadas e padronizadas das taxas anuais, enquanto o MapBiomas Alerta contribui com transparência, rastreabilidade e integração de múltiplas fontes, fortalecendo a governança e a qualificação da informação sobre o desmatamento no país.

O Quadro 2 sintetiza as principais diferenças metodológicas e operacionais entre os sistemas oficiais anuais de estimativa de desmatamento. A comparação considera critérios estruturantes dos sistemas, incluindo área mínima mapeada, cálculo de área, período de análise, janela de captura de imagens, escopo territorial e tipo de vegetação mapeada. A explicitação desses parâmetros é fundamental para compreender as diferenças nos resultados divulgados, evitar comparações metodologicamente inadequadas e evidenciar o caráter complementar dessas iniciativas no monitoramento do desmatamento no Brasil.

Table 2. Características dos dados dos sistemas de detecção anuais de desmatamento e MapBiomas Alerta em 2025

CaracterísticasFontes anuais de detecção de desmatamentoMapBiomas Alerta
PRODES AmazonPRODES Cerrado e PantanalPRODES Caatinga, Mata Atlântica e PampaATLASAtlantic Forest
Minimum Mapped Area6,25 ha1 ha1 ha3 ha0,3 ha
Area Calculationreleases rate that estimates deforestation also in unobserved areasdata represents the sum of the observed areasdata represents the sum of the observed areasdata represents the sum of the observed areasdata represents the sum of the observed areas
Analysis periodagosto 2019 a julho 2025agosto 2019 a julho 2025agosto 2019 a julho 2024outubro 2018 a setembro 2025desmatamentos detectados entre janeiro e dezembro de 2019 a 2025
Image capture windowjulho a setembro de 2019 a 2025junho a setembro de 2019 a 2025junho a setembro 2019 a 2024julho a novembro de 2019 a 2025julho 2018 a fevereiro de 2026
Territorial RangeLegal Amazonboundaries of the biomes at scale 1:250,000 (for the Cerrado, subtracting the overlap area with the Legal Amazon)limites dos biomas em escala 1:250.000 area of application of the Atlantic Forest Law (biome + enclaves in the northeast)IBGE biome boundaries at scale 1:250,000
Mapped Vegetation Typevegetação florestal primária ou existente em 1988 (exclui áreas de Cerrado e áreas não florestais em 1988)vegetação florestal, savânica e campestre existente em 2000vegetação florestal, savânica e campestre existente em 2000primary or existing forest vegetation in 1985vegetação primária e vegetação secundária